Liquidação Will Bank: o que acontece com seu dinheiro?

Entenda como ficam contas, saldos e cartões com a liquidação Will Bank, como funciona o FGC e o que fazer para receber os valores. Saiba mais!

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SPC Brasil

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No dia 21 de janeiro, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital que operava no país e era controlado pelo Banco Master, instituição que também entrou em liquidação no ano de 2025.

A medida gerou dúvidas entre milhões de clientes do Will Bank sobre o destino do dinheiro mantido em contas, investimentos e cartões.

O caso acende um alerta sobre a segurança de contas digitais no Brasil, chamando a atenção em relação aos riscos tanto pra quem tem dinheiro depositado como pra quem tem dívidas com o banco.

Situações como essa costumam causar insegurança, mas existem regras, mecanismos de proteção e um processo organizado pra garantir o ressarcimento por meio do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Continue lendo este artigo e tire suas dúvidas!

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O que é uma liquidação extrajudicial? 

A liquidação extrajudicial é uma medida aplicada pelo Banco Central quando uma instituição financeira apresenta problemas graves de solvência, gestão ou liquidez, colocando em risco o sistema financeiro ou os consumidores.

Na prática, a liquidação extrajudicial interrompe o funcionamento da instituição e promove sua retirada do SFN (Sistema Financeiro Nacional). 

O que aconteceu com o Will Bank?

A liquidação do Will Bank está diretamente ligada à crise do Banco Master. 

Desde novembro de 2025, o Banco Central passou a desmontar, de forma gradual, instituições do grupo após identificar graves problemas financeiros, suspeitas de irregularidades contábeis e falhas na operação.

O processo começou pelas empresas centrais do conglomerado — Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank — e avançou pra instituições ligadas a ele.

Criado em 2017 e integrado ao conglomerado do Banco Master no início de 2024, o Will Bank ainda tentou se manter ativo, mas entrou em colapso após deixar de cumprir pagamentos no sistema da Mastercard.

Isso levou o Banco Central a concluir que a situação não tinha mais solução, bloqueando suas operações e tornando inevitável a liquidação.

Com a decisão da liquidação extrajudicial do Will Bank, ele deixa de operar normalmente e passa a ser administrado por um liquidante nomeado pelo Banco Central, responsável por organizar os ativos, passivos e pagamentos.

Dívidas do Will Bank precisam ser pagas?

Sim. Dívidas com o Will Bank não são canceladas com a liquidação do banco.

Isso significa que faturas de cartão de crédito continuam válidas, e os empréstimos e financiamentos devem ser pagos conforme contrato.

O não pagamento pode gerar inadimplência. Caso a dívida não seja quitada, o consumidor pode ter o nome registrado nos cadastros de devedores, como SPC Brasil e Serasa.

Como ficam saldos em contas, Pix e cartões?

Com a liquidação do Will Bank, o Banco Central interrompe imediatamente todas as operações do banco:

  1. Movimentações em contas (corrente e poupança) ficam bloqueadas;

  2. Pix, TED e transferências são suspensos;

  3. Saques não estão disponíveis;

  4. Cartões de crédito e débito deixam de funcionar.

Essas interrupções são normais no processo e têm como objetivo organizar os valores e evitar prejuízos maiores.

O que acontece com o meu dinheiro no Will Bank?

O dinheiro dos clientes do Will Bank não desaparece. Os valores ficam temporariamente indisponíveis enquanto o processo entre o liquidante e o Fundo Garantidor de Créditos é estruturado.

Esse processo começa assim que o Banco Central decreta a falência de uma instituição financeira.

Os valores garantidos pra ressarcimento, nos termos da regulamentação, serão pagos após o recebimento das informações fornecidas pelo liquidante com o apoio do FGC.

O que é o FGC e como ele funciona?

Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, integrante do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e mantida pelas próprias instituições financeiras.

O fundo funciona como um agente de prevenção de crises bancárias e proteção de depositantes e investidores em caso de falência ou liquidação de bancos.

Sendo assim, o FGC contribui para a manutenção da estabilidade do sistema e atua pra ampliar a confiança das pessoas neste sistema.

Pessoas jurídicas têm direito à garantia do FGC?

Sim. O FGC protege depósitos e investimentos de Pessoas Jurídicas (PJ), mas existem exceções. De acordo com o Regulamento do FGC, anexo II da Resolução 4.222/13não têm acesso à cobertura: 

  1. Instituições Financeiras: bancos, financeiras e outras entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central;

  2. Entidades de Previdência Complementar (fundos de pensão);

  3. Sociedades de Capitalização;

  4. Seguradoras;

  5. Clubes de investimento;

  6. Fundos de investimento;

  7. Instituições de pagamento (IPs) e carteiras digitais que não funcionam como banco.

Qual é o valor garantido pelo FGC?

O FGC garante até R$ 250 mil por pessoa (CPF) ou empresa (CNPJ) por instituição financeira ou grupo econômico.

Esse limite inclui o valor total depositado e os rendimentos acumulados até a data da liquidação.

Como o Will Bank e o Banco Master pertencem ao mesmo conglomerado, os valores somados nas duas instituições entram no mesmo limite de garantia.

Isso significa que clientes que contrataram produtos cobertos pelo FGC antes da aquisição do Will Bank pelo Banco Master, em 30 de agosto de 2024, mantêm a garantia de forma separada. 

Já pra quem contratou esses produtos a partir de 31 de agosto de 2024, os valores são somados por CPF e CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil pra todo o conglomerado.

Valores que ultrapassam o teto do FGC entram na chamada massa liquidanda do Will Bank:

  1. O cliente se torna credor da instituição;
  2. O valor só poderá ser recuperado após a venda dos ativos do banco;
  3. O pagamento depende da existência de recursos e segue uma ordem legal.

Nesses casos, não existe garantia de ressarcimento integral.

Quais produtos financeiros são cobertos pelo FGC?

Estão cobertos pelo FGC:

  1. Conta corrente;
  2. Conta poupança;
  3. CDB (Certificado de Depósito Bancário);
  4. RDB (Recibo de Depósito Bancário);
  5. LCI (Letra de Crédito Imobiliário);
  6. LCA (Letra de Crédito do Agronegócio);
  7. LC (Letra de Câmbio).

Esses são considerados depósitos garantidos, desde que respeitem o teto de cobertura.

Quais investimentos não têm garantia do FGC?

Não estão cobertos:

  1. Fundos de renda fixa;
  2. Ações;
  3. Debêntures (Títulos de dívida emitidos por empresas);
  4. CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários);
  5. CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio);
  6. COE (Certificado de Operações Estruturadas);
  7. Previdência privada (PGBL e VGBL);
  8. Depósitos judiciais;
  9. Depósitos no exterior;
  10. Títulos públicos (Tesouro Direto);
  11. Criptomoedas.

Esses produtos seguem regras próprias e não entram na cobertura do fundo.

Como é feito o pagamento pra Pessoas Físicas?

Apesar de existir a garantia, o pagamento não é imediato. Confira o passo a passo pra receber seu pagamento: 

  1. Baixe o aplicativo oficial do FGC e complete seu cadastro;

  2. Solicite o pagamento de garantia. Essa etapa só ficará disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo;

  3. Em seguida, informe uma conta bancária de sua titularidade pra receber o pagamento e enviar eventuais documentos.

No caso de solicitações pra menores de idade e credores falecidos, o pedido de garantia deve ser realizado pelo e-mail atendimento.credores@fgc.org.br, enviando informações e documentações específicas.

Após a análise da documentação, o solicitante será notificado por e-mail pra completar a solicitação pelo aplicativo.

Como é feito o pagamento pra Pessoas Jurídicas?

O representante legal da empresa deve fazer o pedido de garantia diretamente pelo site da instituição. Veja o passo a passo: 

  1. Faça o cadastro no Portal do Investidor. Após o preenchimento das informações, o FGC envia um e-mail com as etapas necessárias;

  2. Depois que o fundo receber a lista de pessoas e valores devidos, é necessário completar o pedido do pagamento de garantia;

  3. O pagamento é feito por transferência pra uma conta corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa.

Quanto tempo demora pra receber o dinheiro do FGC?

Não existe um prazo legal para a instituição financeira pagar seus clientes, de acordo com o FGC. 

Isso vai depender do tempo em que o liquidante envie a lista de credores e valores a serem pagos para o fundo. 

Em média, essas informações são disponibilizadas em 30 dias úteis a partir da falência.  

Mas nos caos em que existem pendências judiciais e extrajudiciais, o intervalo de tempo pra pagamento pode demorar um pouco mais, levando algumas semanas ou meses. 

Uma vez recebidas todas as informações e documentos enviados pelo liquidante, feita a solicitação de garantia pelos clientes, o pagamento é disponibilizado em até 48 horas úteis depois da assinatura do termo.

O que o cliente do Will Bank deve fazer agora?

Para garantir segurança e evitar cair em golpes ou fraudes, clientes do Will Bank devem acompanhar comunicados oficiais do FGC e do Banco Central

Todas as informações podem ser consultadas no site do FGC: https://fgc.org.br/.

Em caso de dúvidas, o FGC orienta que correntistas e investidores entrem em contato pelo e-mail atendimento.credores@fgc.org.br

Desconfie de promessas de antecipação de pagamento ou pedidos de dados pessoais por WhatsApp ou e-mail não oficial.

O FGC não antecipa pagamento, não usa intermediários e não cobra taxa no pagamento de garantia. 

Solicite o ressarcimento pelo aplicativo do FGC (PF) ou Portal do Investidor (PJ).

Caso precise resolver outros assuntos com o Will Bank, o atendimento está sendo realizado pelo e-mail credores@willbank.com.br.

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Segurança das contas digitais no Brasil

Casos como o do Will Bank mostram que o sistema financeiro brasileiro possui mecanismos de proteção.

Além disso, também reforçam a importância de conhecer o funcionamento do FGC, não concentrar grandes valores numa única instituição e buscar entender os riscos de cada produto financeiro.

Educação financeira é o principal caminho pra escolhas mais seguras.

Quer continuar aprendendo sobre crédito, segurança financeira e como proteger seu dinheiro? Acompanhe os conteúdos do SPC Brasil e tome decisões com mais confiança.

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